Retomada e revitalização de línguas indígenas no Brasil: experiências e desafios

2021-03-26
Nas últimas décadas temos presenciado experiências de retomadas e revitalizações de línguas indígenas em mais de uma dezena de etnias no nordeste brasileiro (BONFIM, COSTA, 2014). Experiências essas, que se espalharam para outras regiões do país e tensionam os processos de colonialidades presentes nos estudos linguísticos, que, muitas vezes, não enxergam como legítimos os movimentos de retomada e revitalização linguística dos povos indígenas (SILVA, 2019). Neste sentido, o dossiê pretende reunir experiências de retomadas e revitalizações de línguas indígenas no Brasil. Serão bem-vindas experiências de retomadas e revitalizações na Educação Escolar Indígena, formação inicial de professores (as) indígenas (licenciaturas interculturais), formação continuada (Ação Saberes Indígenas na Escola), bem como outras instituições e agentes para além da escola, que têm produzido políticas de retomadas e revitalizações de línguas indígenas. Com as partilhas das experiências reunidas no dossiê, acreditamos “contribuir na descolonização dos estudos linguísticos, desconstruindo normatizações e meta-narrativas glotofágicas, que tanto têm servido para expropriação de territórios e silenciamentos de grupos étnicos” (SILVA, 2019, p. 73). Referências BOMFIM, Anari Braz; COSTA, Francisco Vanderlei Ferreira da. Revitalização de Língua Indígena no Sul da Bahia. In.: BOMFIM, Anari Braz; COSTA, Francisco Vanderlei Ferreira da (Orgs.). Revitalização de Língua Indígena e Educação Escolar Indígena Inclusiva. Salvador: Empresa Gráfica da Bahia/EGBA, 2014. SILVA, Paulo de Tássio Borges da. Políticas Linguísticas de Revitalização entre os Pataxó do Território Kaí-Pequi. Rio de Janeiro: Museu Nacional-UFRJ, 2019 (Mestrado em Linguística e Línguas Indígenas). Orgs: Anari Braz Bonfim Pataxó (MN/UFRJ) Ytanajé Coelho Cardoso Munduruku (PPGE/UFAM) Paulo de Tássio Borges da Silva (PPGER/UFSB – ProPED/UERJ)