RUPTURA COM OS RACISMOS LINGUÍSTICO E EPISTÊMICO NA ESCOLA

Autores

  • Marcelo Nascimento Dias UFSB

Palavras-chave:

Racismo linguístico; Epistemicídio; Língua vernácula; Maioria Minorizada; Educação

Resumo

Um trabalho de pesquisa pressupõe uma certa inquietação interna. Nesse trabalho o interesse pessoal direciona-se ao estudo da linguagem, em particular a língua vernácula e as relações entre linguagem, língua e racismo no âmbito da educação básica. Busca-se fazer uma abordagem interdisciplinar, com ênfase no pensamento de intelectuais negras e negros a fim de situar as encruzilhadas da linguagem e da língua como construções estruturadas pelo racismo. Discute-se como a língua estrutura o racismo, trança-se um breve panorama de como a língua portuguesa se constituiu e se formou no Brasil, com destaque para a africanização do português brasileiro. Reconhece-se a língua e a linguagem como invenções ao problematizar o racismo linguístico e o epistemicídio no contexto da educação formal, como dispositivo de racialização que silencia e exclui as juventudes não brancas na/da escola. Por fim sugere-se a desconstrução de língua e de linguagem ancorada numa abordagem tradicional e propõe-se uma rebeldia contra as imposições da língua padrão e contra os conhecimentos eurocêntricos prioritariamente ensinados na escola formal. O ensino (da língua?), nesse sentido, se constituiria um ato de transgressão. Palavras-chave: Racismo linguístico; Epistemicídio; Língua vernácula; Maioria Minorizada; Educação

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Publicado

2021-11-20

Como Citar

NASCIMENTO DIAS, M. RUPTURA COM OS RACISMOS LINGUÍSTICO E EPISTÊMICO NA ESCOLA. Revista Virtual Lingu@ Nostr@, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 59–90, 2021. Disponível em: https://linguanostra.net/index.php/Linguanostra/article/view/210. Acesso em: 27 jan. 2022.

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