A LÍNGUA-LINGUAGEM COMO ENCRUZILHADA: Desafios e implicações tradutórias de um conceito decolonial em elaboração

https://doi.org/10.29327/232521.8.2-6

Autores

  • Alex Pereira de Araújo UESB

Palavras-chave:

Língua; gramatização; Diáspora negra; pesquisas linguísticas; sujeitos.

Resumo

Esta fase do processo de descolonização que estamos vivenciando tanto em África como nas Américas, tem colocado uma série de questões emblemáticas tanto de ordem prática quanto teórica. A discussão que este ensaio promove, se inscreve, no território da decolonialidade, como uma forma de reflexão sobre a concepção de língua e de linguagem que orientam pesquisas voltadas para as línguas que sobreviveram a política de apagamento, sobretudo, com o processo de gramatização das línguas europeias que determinou ainda a forma como a ciência da linguagem, nomeada de Linguística no final do século XVIII e início do XIX, constituiu-se enquanto disciplina, em termos foucaultianos. O processo de gramatização se refere à tecnologia linguística usada pelos europeus para dominar outras culturas do planeta, subvertendo a ecologia da comunicação humana, conforme advoga Auroux (1992). Este processo utilizou a produção de dicionários e de gramáticas tantos das línguas europeias quanto de outras línguas em que era preciso negociar. Portanto, é um trabalho que procurou encontrar um conceito de língua que se encontra fora do esquema ocidental. Em outros termos, a ideia aqui é mobilizar um conceito de língua-linguagem que expresse o pensamento e a cosmovisão da Diáspora negra africana com suas emanações ancestrais para que os pesquisados não sejam apenas objetos de pesquisa, mas sujeitos de suas falas, tendo um conceito mais coerente com a sua cosmovisão e com suas realidades linguísticas nesses passos de retomada que estamos dando nesta fase da descolonização.

Biografia do Autor

Alex Pereira de Araújo, UESB

Doutor em Memória: Linguagem e Sociedade pela UESB (com bolsa da CAPES e bolsa do PDSE na França). Graduou-se em letras Português com Francês (1995-2000), tornando-se Mestre em Letras: Linguagens e Representações (2009-2011). Participou dos programas do Ministério das Relações Exteriores da França (Ministère des Affaires Étrangères): Connaissance de la France em 2000 e do Profs en France (2007) no CAVILAM de Vichy (Universidade Blaise Pascal).http://orcid.org/0000-0003-4818-0912

Referências

ALMEIDA, Rita Heloísa de. O Diretório dos Índios: um projeto de “civilização” do século XVIII. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1997.

ARAÚJO, Alex Pereira de.; FERREIRA, Élida Paulina. Pelas veredas da tradução: entre mitos e palavras. In.: I Congresso Nacional Linguagens e Representações – I CONLIRE, III Encontro Nacional da Cátedra UNESCO de Leitura e VII Encontro Local do PROLER, tema foi “Linguagens e Leituras”. UESC, Anais. Ilhéus, 2010, p. 1-8. Disponível em: <http://www.uesc.br/eventos/iconlireanais/iconlire_anais/anais-01.pdf>. Acesso em jun.2021.

AUROUX, Sylvain. A revolução tecnológica da gramatização. Tradução de Eni Puccinelli Orlandi. – Campinas-SP: Editora da Unicamp, 1992. (Coleção Repertórios).

BARTHES, R. Elementos de semiologia. Tradução de Izidoro Blikstein. – São Paulo: Cultrix, 1971.

BERNARDO, Ezequiel Pedro José.; SEVERO, Cristiane Gorski. Políticas linguísticas em Angola: sobre as políticas educacionais in(ex)cludentes. Revista da ABRALIN, v. XVII, n. 2, 2018.

BOURDIEU, Pierre. ; PASSERON, Jean-Claude. Les Héritiers : les étudiants et la culture. – Paris : Les Éditions de Nuit,1964

DRAVET, Florence Marie. Corpo, linguagem e real: o sopro de Exu Bará e seu lugar na comunicação. Ilha do Desterro, Florianópolis, v.68, nº 3, p.15-25, set/dez. 2015.

DELEUZE, Gilles. Rachar as coisas, rachar palavras. In.:______. Conversações. Tradução Peter Pál Pelbart. – São Paulo: Editora 34, 1992.

FANON, Frantz. Pele negra, máscara branca. Tradução de Renato da Silveira. – Salvador: EDUFBA, 2008.

FREIRE, Paulo.; HOURTON, Myles. O caminho se faz caminhando: conversas sobre educação e mudança social. – Petrópolis-RJ: Vozes, 2003.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula no Collège de France: pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Tradução Laura Fraga de Almeida Sampaio. – São Paulo: Edições Loyola, 1996.

FOUCAULT, Michel. As palavras e as imagens. In: ________. Arqueologia das ciências e história dos sistemas de pensamento. MOTTA, Manoel Barros da (Org.). Tradução de Elisa Monteiro. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000. (Col. Ditos e escritos vol. II).

GERALDI, João Wanderley. Portos de passagem. – 4ª edição – São Paulo: Martins Fonte, 1997.

KI-ZERBO, Joseph (ed.). História Geral da África. São Paulo: Ática-Unesco, 1980.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. – 2ª edição – São Paulo: Companhia das Letras, 2020.

MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória: o reinado do Rosário no Jatobá. São Paulo: Perspectiva, 1997.

MBEMBE, Achille. Sair da grande noite: ensaio sobre a África descolonizada. Tradução de Fábio Ribeiro. – Petrópolis-RJ: Vozes, 2019. (col. África e os Africanos).

MBEMBE, Achille. Necropolítica. Tradução Renata Santini. Arte e Ensaio – Revista do PPGAV-EBA, n.32, dez./2016, pp.123-151.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 3ª edição – Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. São Paulo: Editora Perspectiva, 2016.

RAMOS, Paulo César; TOMESANI, Ana Maura. Racismo e Antirracismo: Produção Acadêmica e Ativismo Negro no Brasil. Revista Brasileira de Políticas Públicas e Internacionais, v. 5, n. 3, dez./2020, pp. 342-372.

RETRATO da Mestra Makota Valdina. Formação Transversal em Saberes Tradicionais UFMG. 2 de maio de 2019. disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=FAc4CJr4qtM&t=804s>. Acesso em jun./2021.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Revista Periferia, v.10, n.1, p. 71 - 88, jan.-jun. 2018.

SANTANA, Tiganá. Tradução, interações e cosmologias africanas. Cad. Trad., Florianópolis, v.39, nº esp., p.65-77, set-dez, 2019.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Linguística Geral. Trad. de Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. 20. ed. São Paulo: Cultrix, 1995.

SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da diferença. In.: _______. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. – 8ª edição – Petrópolis-RJ: Vozes, 2008.

SILVEIRA, Marialda Jovita. A educação pelo silêncio: o feitiço da linguagem no candomblé. – Ilhéus-BA: Editus, 2004.

UNESCO. Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. UNESCO, Barcelona, 1996. Disponível em <http://www.penclubeportugues.org/comites/declaracao-universal-dos-direitos-linguisticos/> Acesso em jun./2021.

Downloads

Publicado

2022-04-20

Como Citar

PEREIRA DE ARAÚJO, A. A LÍNGUA-LINGUAGEM COMO ENCRUZILHADA: Desafios e implicações tradutórias de um conceito decolonial em elaboração: https://doi.org/10.29327/232521.8.2-6. Revista Virtual Lingu@ Nostr@, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 76–99, 2022. Disponível em: https://linguanostra.net/index.php/Linguanostra/article/view/244. Acesso em: 23 maio. 2022.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)

Obs .: Este plugin requer que pelo menos um plugin de estatísticas / relatório esteja ativado. Se seus plugins de estatísticas fornecerem mais de uma métrica, selecione também uma métrica principal na página de configurações do site do administrador e / ou nas páginas de configurações do gerente da revista.