PROCESSOS FORMATIVOS EM LETRAMENTO E ALFABETISMO ENTRE PROFESSORES(AS) INDIGENAS NO VALE DO JAVARI/AM

https://doi.org/10.29327/232521.8.2-11

Autores

  • Adria Simone Darte de Souza Universidade do Estado do Amazonas
  • Celia Aparecida Bettiol Universidade do Estado do Amazonas
  • Sanderson Soares Castro de Oliveira Universidade Federal do Amazonas

Palavras-chave:

Formação de Professores Indígenas, Alfabetismo, Letramento

Resumo

O texto busca socializar a experiência de formação de professores indígenas, bem como refletir sobre o processo de alfabetização e letramento que se deu no Curso de Pedagogia Intercultural Indígena desenvolvido no Território Etnoeducacional do Vale do Javari, no Estado do Amazonas. O curso objetiva a formação de professores indígenas das etnias Mayoruna/Matsés, Marubo, Kanamari e Matis em nível superior para o exercício da docência com ênfase no Ensino na/da Língua Indígena na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Essa experiência possibilitou discutir processos de alfabetização e letramento em três movimentos complementares: o processo de pensar sobre sua própria língua indígena; o processo de pensar coletivamente as quatro línguas envolvidas no curso; o processo de produção de Material para a escola indígena em língua indígena. As análises baseiam-se na perspectiva sociopolítica dos Estudos Culturais, adotando uma abordagem etnográfica para relatar a experiencia do curso que está em andamento. O processo de dialogar junto aos envolvidos no processo formativo permitiu articular movimentos que corroboram as reflexões dos estudos culturais reiterando a aposta da centralidade da “esfera cultural”. O texto apresenta três movimentos que se articulam em diferentes momentos, tomando como ponto de partida a língua indígena, seus usos e sua aprendizagem. A produção de mapas linguísticos e material didático próprio e autoral a partir dos contextos desses povos oportunizaram uma reflexão sobre a língua indígena e a necessidade de promover ações de manutenção e fortalecimento da mesma. A constatação do uso de empréstimos linguísticos, sobretudo pelos mais jovens, é uma realidade que precisa ser analisada pelas comunidades e pela escola, como lugares de afirmação cultural e identitária.

Biografia do Autor

Adria Simone Darte de Souza, Universidade do Estado do Amazonas

Possui Graduação em Pedagogia e Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Atualmente é doutoranda do PROPED/UERJ, Docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Coordenou o Curso de Pedagogia Intercultural Indígena ofertado nos municípios de São Paulo de Olivença/Alto Solimões, iniciado em 2014 e finalizado em 2019 e Atalaia do Norte/Vale do Javari, iniciado em 2016. Atua nas disciplinas de Didática, Pesquisa e Prática Pedagógica e Estágio e possui experiência na área de Educação, com ênfase em Formação de Professores, atuando principalmente nos seguintes temas: educação escolar indígena e formação de professores indígenas. Conselheira Titular do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena do Amazonas - CEEI/AM (Decreto 33.406, 18 de abril de 2013)2013-2017 e Conselheira Suplente no Quadriênio 2018-2021. Membro do Fórum de Educação Escolar Indígena/FOREEIA.

Celia Aparecida Bettiol, Universidade do Estado do Amazonas

Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Jales, Mestrado em Educação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Doutorado pelo Programa de Pós Graduação em Educação da FCT/UNESP, Presidente Prudente, onde foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (FAPEAM). Atualmente é docente da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Foi coordenadora do PROIND ( Programa de Formação do Magistério Indígena ) da UEA e faz parte do Núcleo Docente Estruturante dos cursos de Pedagogia Intercultural Indígena. Atua nas disciplinas de Estágio, Didática e Pesquisa e Prática Pedagógica. Seus trabalhos e pesquisas são nos temas: formação de professores, educação escolar indígena e formação de professores indígenas.

Sanderson Soares Castro de Oliveira, Universidade Federal do Amazonas

Possui graduação em Língua Espanhola e Literatura Espanhola e Hispano-Americana pela Universidade de Brasília (2006). Obteve o título de Mestrado em 2009, no Programa de Pós Graduação em Lingüística da mesma Universidade. Encerrou o doutorado em 2014, no mesmo PPGL. Foi professor do Centro de Estudos Superiores de Tabatinga da Universidade do Estado do Amazonas de 2012 a 2018. Atualmente, é professor Adjunto da Universidade Federal do Amazonas - UFAM (Manaus), onde lidera do Grupo de Pesquisa Sobre Línguas e Culturas Amazônicas. Na UFAM, atua na graduação como professor do Curso de Formação de Professores Indígenas do Departamento de Educação Escolar Indígena e é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Letras. Atualmente é Secretário Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência do Amazonas. É pesquisador do Laboratório de Línguas Indígenas da UnB. Tem experiência na área de Lingüística, com ênfase em Línguas Indígenas, atuando principalmente nos seguintes temas: línguas indígenas, Korúbo, Páno, descrição de línguas indígenas, Lingüística Histórica, História Social da Linguagem.

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Publicado

2022-04-20

Como Citar

DARTE DE SOUZA, A. S.; APARECIDA BETTIOL, C.; SOARES CASTRO DE OLIVEIRA, S. PROCESSOS FORMATIVOS EM LETRAMENTO E ALFABETISMO ENTRE PROFESSORES(AS) INDIGENAS NO VALE DO JAVARI/AM: https://doi.org/10.29327/232521.8.2-11. Revista Virtual Lingu@ Nostr@, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 186–203, 2022. Disponível em: https://linguanostra.net/index.php/Linguanostra/article/view/249. Acesso em: 2 dez. 2022.

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